Brasil pode ter crise de armazenamento 

10/07/2017
Brasil pode ter crise de armazenamento 

Os agricultores brasileiros estão descobrindo uma das desvantagens de serem uns dos maiores produtores globais de soja: estão ficando sem espaço para armazenar os grãos que não foram vendidos.

 

Como os preços da soja caíram 28% em relação ao ano passado, os agricultores, em vez de vender, estão armazenando soja onde podem, à espera da melhora da cotação.

 

Os estoques domésticos estão perto de um recorde depois da maior colheita da história do país, segundo a Abiove (que reúne a indústria de óleos vegetais). E, com uma safra recorde de milho próxima de sair do campo, há o risco de uma crise de armazenamento no país.

 

“Os armazéns ainda estão cheios de soja e os agricultores estão prestes a começar colher o milho safrinha”, afirmou Nelson Antonini, produtor que integra uma cooperativa com 800 membros em Naviraí (Mato Grosso do Sul). “Já estamos enfrentando problemas de armazenagem.”

 

Até agora os integrantes da cooperativa venderam 50% da produção de soja -a média para esse período costuma ser 80%, diz Antonini.

 

Como os estoques locais só conseguem armazenar 40% e uma safra de milho está por vir, os produtores tiraram 42 mil toneladas de soja dos armazéns e colocaram em “silo bags” (grandes sacolas de plástico que podem armazenar cerca de 180 toneladas).

 

Isso acontece em parte porque os preços em queda têm desencorajado as vendas, forçando os agricultores a segurar a produção por mais tempo. Em Mato Grosso (principal produtor de soja do país), o preço da saca de 60 quilos caiu 28% em relação a 2016, de acordo com o Cepea (centro de pesquisa da USP).

 

O caso do milho é ainda pior. A cotação recuou 52%, e a saca está valendo R$ 11,08 em Sorriso (MT), abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo, R$ 16,50.

 

“Se os produtores tiverem tiverem que escolher entre armazenar milho ou soja, provavelmente vão priorizar a venda do milho”, diz Luiz Fernando Roque, analista da consultoria Safras & Mercado. “Os agricultores não querem vender pelo preço atual.”

 

Texto extraído do jornal Folha de S. Paulo


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